MURAL DE MEMÓRIAS
A leitura, para mim, é como um refúgio da
turbulenta realidade. É como se pudesse me desconstruir a cada frase, a cada
palavra, a cada entendimento, materializando-me em outros lugares, alguns
longínquos, outros fictícios, mas todos bem reais à minha mente.
Os livros são as pontes para fora do contexto
presente. Afinal, essa condição real, consolidada na convivência social, é,
teoricamente, imutável. Contudo, ao ler, posso torná-la o que quiser, colorida
ou não, sonora ou não, rápida ou não.
Eu
desafio o tempo, o destino e a condição natural das coisas, porque, na leitura,
permito-me a interpretação. Além disso, é na leitura que exercermos o poder de imaginar.
Também é nela que transformamos os eventos utópicos em fatos reais. Fragmentamos
as teorias em várias abstrações e permeamos caminhos desconhecidos do
conhecimento humano.
A leitura, igualmente, é o passeio da mente
humana nos confins da ciência, nas metáforas ilustres da poesia, na alegria e
na dor alheia. Ao ler, deparamo-nos mais com o contato pessoal, sentimos o que
o outro sente e ficamos felizes ou
infelizes por ele. E tal alteridade é engrandecedora. Até porque, no mundo de
hoje, em que as interações sociais estão cada vez mais fragilizadas, a leitura
é um caminho de lembranças, um mural de memórias de como é sentir como outro vê
o mundo.
Alexandre Engel.
Acadêmico do Curso de Direito e membro
do Grupo de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico:
a leitura como prática reflexiva no contexto das Ciências Sociais Aplicadas, coordenado pela
Prof.ª Dr.ª Márcia Adriana Dias Kraemer.
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