TODOS
QUE FALAM SABEM FALAR
Este ensaio trata acerca de um
capítulo do livro Porque (não) Ensinar
Gramática na Escola, de Sírio Possenti, publicado pela primeira vez em
1996, pela Editora Mercado de Letras. O autor é um renomado linguista
brasileiro que se focaliza, em suas pesquisas, no ensino de língua portuguesa
nas escolas. Possenti afirma que geralmente, em se tratando de variações
linguísticas, os indivíduos consideram as diferenças de linguagem de forma
pejorativa, pois julgam a fala dos outros a partir da sua, de maneira
narcísica, sem aceitar as diferenças.
Essa desconsideração das variações de
fala em uma mesma língua, contemporaneamente, não é um paradigma razoável, uma
vez que a linguagem é viva e o seu uso decorre de razões históricas,
ideológicas, sociais, culturais e até psicológicas que incide sobre a forma de
uma pessoa se expressar, conforme, principalmente, suas necessidades
comunicativas e o contexto de produção da linguagem.
É preciso atentar para o óbvio: todos sabem
falar, mesmo que o façam de forma peculiar para o ouvido alheio. Todos usam a
linguagem, seja qual modalidade for: linguagem padrão ou não; forma erudita,
coloquial ou vulgar; com termos técnicos ou jargões; em dialetos campesinos,
urbanos ou metropolitanos. Todos, em princípio, comunicam-se, pois se
reconhecem indivíduos por meio da linguagem e esta propicia a interação verbal.
Possenti afirma que saber falar é
saber expressar-se por meio de uma língua; saber uma língua é dominar a sua
gramática, consciente ou internalizadamente;
e saber gramática é saber dizer e saber entender o que é dito, pois esse
exercício requer o domínio da estrutura da língua. Logo, deve-se ser mais
receptivo e menos discriminador quanto ao modo de as pessoas falarem, pois o
mais importante é entender e conseguir fazer-se entender pelos demais, nas
diferentes situações de fala.
No entanto, é necessário compreender
também que é tarefa da escola ensinar a língua padrão e cobrar esse
conhecimento, uma vez que, quanto mais se dominar os diferentes falares, mais
se tem acesso aos variados saberes que circulam socialmente. Dessa forma, é
possibilitado ao indivíduo inserir-se em uma sociedade letrada e fazer parte
das instituições que a constituem.
Richeli
Camila de Souza
Acadêmica do Curso de Direito e membro
do PROPLAC/FEMA
Márcia
Adriana Dias Kraemer.
Prof.ª Dr.ª do Curso de Direito e
Coordenadora do PROPLAC/FEMA
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