domingo, 11 de outubro de 2015

Todos que falam sabem falar



TODOS QUE FALAM SABEM FALAR

Este ensaio trata acerca de um capítulo do livro Porque (não) Ensinar Gramática na Escola, de Sírio Possenti, publicado pela primeira vez em 1996, pela Editora Mercado de Letras. O autor é um renomado linguista brasileiro que se focaliza, em suas pesquisas, no ensino de língua portuguesa nas escolas. Possenti afirma que geralmente, em se tratando de variações linguísticas, os indivíduos consideram as diferenças de linguagem de forma pejorativa, pois julgam a fala dos outros a partir da sua, de maneira narcísica, sem aceitar as diferenças.
Essa desconsideração das variações de fala em uma mesma língua, contemporaneamente, não é um paradigma razoável, uma vez que a linguagem é viva e o seu uso decorre de razões históricas, ideológicas, sociais, culturais e até psicológicas que incide sobre a forma de uma pessoa se expressar, conforme, principalmente, suas necessidades comunicativas e o contexto de produção da linguagem.
É preciso atentar para o óbvio: todos sabem falar, mesmo que o façam de forma peculiar para o ouvido alheio. Todos usam a linguagem, seja qual modalidade for: linguagem padrão ou não; forma erudita, coloquial ou vulgar; com termos técnicos ou jargões; em dialetos campesinos, urbanos ou metropolitanos. Todos, em princípio, comunicam-se, pois se reconhecem indivíduos por meio da linguagem e esta propicia a interação verbal.
Possenti afirma que saber falar é saber expressar-se por meio de uma língua; saber uma língua é dominar a sua gramática, consciente ou  internalizadamente; e saber gramática é saber dizer e saber entender o que é dito, pois esse exercício requer o domínio da estrutura da língua. Logo, deve-se ser mais receptivo e menos discriminador quanto ao modo de as pessoas falarem, pois o mais importante é entender e conseguir fazer-se entender pelos demais, nas diferentes situações de fala.
No entanto, é necessário compreender também que é tarefa da escola ensinar a língua padrão e cobrar esse conhecimento, uma vez que, quanto mais se dominar os diferentes falares, mais se tem acesso aos variados saberes que circulam socialmente. Dessa forma, é possibilitado ao indivíduo inserir-se em uma sociedade letrada e fazer parte das instituições que a constituem.

Richeli Camila de Souza
Acadêmica do Curso de Direito e membro do PROPLAC/FEMA
Márcia Adriana Dias Kraemer.
Prof.ª Dr.ª do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA

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