terça-feira, 14 de junho de 2016

Concepções de Linguagem e Estratégia de Leitura



A formação de leitores é sempre uma preocupação em se tratando de ensino e de aprendizagem. Entretanto, pouco se reflete em relação à influência das concepções de língua e de linguagem, bem como sua relação com o uso de  estratégias de que se vale o leitor para a apropriação do conhecimento.
Se a atitude frente ao texto é a que coaduna com a concepção de linguagem centrada na expressão do pensamento, herança da tradição greco-latina, ler “corretamente” corresponde a um privilégio de poucos e para poucos. Nessa perspectiva, é uma atividade que se reduz à extração do significado, em que a melhor performance é expressa pela materialização oral, do “bem falar”, de acordo com a norma culta. A ênfase está na retórica e na oratória, por meio de textos modelares, principalmente literários, em que a autoridade é dos autores do texto em quem se deve espelhar.
A concepção de linguagem como instrumento de comunicação, fundamentada na perspectiva tecnicista de ensino, conduz a leitura a um processo de decodificação, do escrito para o oral, sem reflexões. As estratégias do leitor acontecem em processo indutivo, das partes para o todo, partindo de questões expressas na superficialidade do texto, prontamente identificadas. A ênfase é na consulta ao dicionário, na leitura em voz alta e, também, na extração do significado, em que a autoridade é o texto, capaz de transmitir mensagens.
 Uma terceira via é a concepção de linguagem como interação, em que se busca a alteridade entre texto, contexto e interlocutores, em uma atitude responsiva ativa do leitor - que concorda, discorda, completa, adapta, discorda, contra-argumenta.  A leitura é entendida como um processo de interação entre a tríade, responsáveis pela construção de significados do texto e de produção de sentidos.
Entende-se que, na contemporaneidade, o estudo de textos-enunciados de determinado gênero pode partir do contexto para o viés temático, depois para sua construção composicional e por fim para seu estilo. Esse caminho permite à leitura tornar-se uma prática social, em que o discurso concretiza a interação verbal, afastando-se o quanto possível do estudo do texto como pretexto para ensinar gramática normativa e descontextualizada, da leitura oral ou de decodificação apenas, como também da redação para reproduzir prescrições.


Roberto Tonel Klock
Acadêmico do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico: a leitura como prática reflexiva no contexto das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/ FEMA.
Márcia Adriana Dias Kraemer
Prof.ª Dr.ª do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA.

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