A formação de
leitores é sempre uma preocupação em se tratando de ensino e de aprendizagem.
Entretanto, pouco se reflete em relação à influência das concepções de língua e
de linguagem, bem como sua relação com o uso de estratégias de que se vale o leitor para a
apropriação do conhecimento.
Se a atitude frente
ao texto é a que coaduna com a concepção de linguagem centrada na expressão do
pensamento, herança da tradição greco-latina, ler “corretamente” corresponde a
um privilégio de poucos e para poucos. Nessa perspectiva, é uma atividade que
se reduz à extração do significado, em que a melhor performance é expressa pela
materialização oral, do “bem falar”, de acordo com a norma culta. A ênfase está
na retórica e na oratória, por meio de textos modelares, principalmente
literários, em que a autoridade é dos autores do texto em quem se deve espelhar.
A concepção de
linguagem como instrumento de comunicação, fundamentada na perspectiva
tecnicista de ensino, conduz a leitura a um processo de decodificação, do escrito
para o oral, sem reflexões. As estratégias do leitor acontecem em processo
indutivo, das partes para o todo, partindo de questões expressas na
superficialidade do texto, prontamente identificadas. A ênfase é na consulta ao
dicionário, na leitura em voz alta e, também, na extração do significado, em
que a autoridade é o texto, capaz de transmitir mensagens.
Uma terceira via é a concepção de linguagem
como interação, em que se busca a alteridade entre texto, contexto e
interlocutores, em uma atitude responsiva ativa do leitor - que concorda,
discorda, completa, adapta, discorda, contra-argumenta. A leitura é entendida como um processo de
interação entre a tríade, responsáveis pela construção de significados do texto
e de produção de sentidos.
Entende-se que, na
contemporaneidade, o estudo de textos-enunciados de determinado gênero pode
partir do contexto para o viés temático, depois para sua construção
composicional e por fim para seu estilo. Esse caminho permite à leitura tornar-se
uma prática social, em que o discurso concretiza a interação verbal,
afastando-se o quanto possível do estudo do texto como pretexto para ensinar gramática
normativa e descontextualizada, da leitura oral ou de decodificação apenas,
como também da redação para reproduzir prescrições.
Roberto
Tonel Klock
Acadêmico do Curso de
Direito, Membro do Projeto de Pesquisa
Letramento Acadêmico/Científico: a leitura como prática reflexiva no contexto
das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/ FEMA.
Márcia
Adriana Dias Kraemer
Prof.ª
Dr.ª do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA.
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