A obra
cinematográfica “O Juiz” (2014), com direção de David Dobkin, aborda os dilemas
familiares muitas vezes comuns e, ao mesmo tempo, faz correlações analíticas
com o espaço jurídico e com temáticas sociais, especificamente no que concerne
ao exercício funcional de juiz.
O protagonista,
Hank Palmer (Robert Downey Jr.), é um advogado bem-sucedido que necessita
defender seu pai, o Juiz Joseph Palmer (Robert Duvall), conhecido pelo estrito
cumprimento à lei, mas que é acusado de matar. A trama cinematográfica elabora
críticas sutis à atividade jurisdicional, uma vez que o juiz é considerado uma
autoridade que reflete o ordenamento jurídico e o Poder Judiciário, conforme
Montesquieu, detentor do exercício de frear e de delimitar os outros poderes do
Estado.
No filme, a
situação fictícia cria uma antítese de tal concepção, uma vez que se reflete
sobre a possibilidade de o juiz ser também capaz de violar a lei. A crítica
social feita pelo filme à figura do juiz questiona o arquétipo juiz-hércules (DWORKIN, 2007), aquele
que interpreta os princípios e regras do sistema jurídico com vistas a efetivar
o postulado da integridade ao complexo normativo.
Entretanto, Dworkin
defende que o julgador, em sua atividade interpretativa, deve cotejar,
efetivamente, os postulados principiológicos de forma a adaptá-los à realidade
social, principalmente, ao contato interpessoal. Assim, diante da figura do juiz-herói, elucida-se a necessidade de
tal autoridade conhecer, de modo empírico, o meio em que vive e as pessoas que
estão inseridas em tal tecido social.
Nessa senda, portanto,
depreende-se que, além das dialéticas relações familiares que são abordadas no
filme, este se caracteriza por trazer uma análise subjacente à figura do juiz, fragmentando
o paradigma de sua infalibilidade, o qual, por vezes, é suscetível a equívocos
e, como qualquer outro cidadão, está sujeito às práticas sociais e seus
desdobramentos.
Alexandre Engel
Acadêmico do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico: a leitura
como prática reflexiva no contexto das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/
FEMA.
Márcia Adriana Dias Kraemer
Prof.ª Dr.ª
do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA.
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