terça-feira, 14 de junho de 2016

Lembranças Literárias


 
Lembro-me, como se fosse hoje, dos dias de minha infância, das tardes quentes, dos veraneios ao lado da família. Recordo-me, ainda, das fartas conversas ao lado de meu avô, grande apreciador de livros, cujas leituras às vezes pareciam intermináveis. Lia de tudo, de jornais a conto de fadas para as netas, inclusive para mim, que sentava abraçada à melhor boneca, para aprender como um bom apreciador de histórias narra suas tramas prediletas.
Penso naquele tempo com uma saudade que transborda o peito e chega a emocionar. Contudo, fazer-me leitora não foi tarefa fácil, o labor foi árduo, afinal, a pequena travessa, dava-lhe trabalho. Ler gibis e contos imaginários, de fadas e amores impossíveis... Ah! Foi paixão à primeira vista. Sim, aqueles amores que tocam o coração e perduram por décadas como best sellers irresistíveis. Entretanto, com o passar dos anos, a maior revelação foi desvendar contos de suspense.
Dos Irmãos Grimm a Edgar Alan Poe, lembro-me ainda o quão doloroso era, ao término de minhas leituras, doar meus queridos xodós, que, durante dias, acompanhavam-me em longas jornadas literárias. Contudo, a satisfação em ver a felicidade e a alegria transbordando o peito de novos leitores bastava, porque a paixão pela leitura resulta na imaginação e, quanto mais coletiva, melhor. Fechamos os olhos e logo criamos novas histórias, em novos lugares, tempos e espaços, sem sequer ter saído de nosso quarto. Ler é apaixonarmo-nos pelo conhecimento e, mesmo que percamos tudo, este para sempre permanecerá.

Poliana Dickmann
Acadêmica do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico no contexto das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/ FEMA, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Márcia Adriana Dias Kraemer.

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