Lembro-me, como se fosse hoje, dos dias de
minha infância, das tardes quentes, dos veraneios ao lado da família.
Recordo-me, ainda, das fartas conversas ao lado de meu avô, grande apreciador
de livros, cujas leituras às vezes pareciam intermináveis. Lia de tudo, de
jornais a conto de fadas para as netas, inclusive para mim, que sentava
abraçada à melhor boneca, para aprender como um bom apreciador de histórias narra
suas tramas prediletas.
Penso naquele tempo com uma saudade que
transborda o peito e chega a emocionar. Contudo, fazer-me leitora não foi
tarefa fácil, o labor foi árduo, afinal, a pequena travessa, dava-lhe trabalho.
Ler gibis e contos imaginários, de fadas e amores impossíveis... Ah! Foi paixão
à primeira vista. Sim, aqueles amores que tocam o coração e perduram por
décadas como best sellers irresistíveis.
Entretanto, com o passar dos anos, a maior revelação foi desvendar contos de
suspense.
Dos Irmãos
Grimm a Edgar Alan Poe, lembro-me
ainda o quão doloroso era, ao término de minhas leituras, doar meus queridos
xodós, que, durante dias, acompanhavam-me em longas jornadas literárias. Contudo,
a satisfação em ver a felicidade e a alegria transbordando o peito de novos
leitores bastava, porque a paixão pela leitura resulta na imaginação e, quanto
mais coletiva, melhor. Fechamos os olhos e logo criamos novas histórias, em
novos lugares, tempos e espaços, sem sequer ter saído de nosso quarto. Ler é
apaixonarmo-nos pelo conhecimento e, mesmo que percamos tudo, este para sempre
permanecerá.
Poliana
Dickmann
Acadêmica
do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico no contexto das Ciências Sociais
Aplicadas – PROPLAC/ FEMA, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Márcia Adriana Dias
Kraemer.
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