O PREDESTINADO
O filme “O Predestinado”, 2014, dos irmãos Michael
Spierig e Peter Spierig, tem, no elenco principal, Ethan Hawke
como um agente temporal e Sarah Snook, interpretando magnificamente dois
papéis, de Jane e de John. A narrativa transita entre: o agente e sua última
missão, às vésperas de sua aposentadoria, de capturar seu inimigo mais
desafiador, o Detonador Sussurante, e treinar um novo agente para o seu
lugar; bem como a história de Jane,
criada em um orfanato, que, depois de um malfadado caso amoroso, descobre-se
grávida e abandonada pelo pretenso namorado.
A
complicação da história de Jane instaura-se depois do parto, com a notícia de
que seu bebê, uma menina, é roubado da
maternidade. Além disso, descobre que é hermafrodita e, em decorrência do
nascimento de sua filha, precisa realizar várias cirurgias e assumir o gênero
masculino. Passa a ser chamada de John.
Uma noite, a vida de John parece cruzar-se pela primeira vez com a do
agente (Ethan Hawke), um homem capaz de fazer viagens no tempo, no intuito de modificar o curso da história
para evitar catástrofes sociais. O agente convida John a acompanhá-lo em suas
missões, dizendo-lhe que é imprescindível essa união, pois quer que o rapaz o
suceda em seu papel de combatente do crime. Todo o enredo se desenvolve a
partir desse evento, fazendo com que John depare-se com a outra de si mesmo,
Jane, em diferentes momentos de seu passado.
O filme é aclamado por parte da crítica como sendo um sci-fi investigativo, empolgante, rico
em entrigas e mistérios. Por outro lado, há os que o consideram com enredo
muito confuso em suas idas e vinda no tempo, com saltos de 10, 15 e 20 anos.
Entretanto, é consenso que ele pode conduzir o
espectador a refletir acerca da circularidade da vida, da sensação de déjá vu, aquela reação psicológica da
transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu
aquelas pessoas. Instiga também à discussão sobre as questões hedonistas do
complexo de Narciso que se mesclam na
nossa herança genética. Será que esta consolida nosso destino ou é apenas
ilusão, será que realmente nos tornamos como nossos pais e não podemos fugir
dessa sina, dessa predestinação?
“Às vezes, o passado é inevitável!” Essa é a
premissa da história.
Tamara
Caliandra Quadros
Acadêmica do Curso de Direito e membro do
Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico: a leitura como prática
reflexiva no contexto das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/FEMA
Márcia
Adriana Dias Kraemer.
Prof.ª Dr.ª do Curso de Direito e
Coordenadora do PROPLAC/FEMA
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