terça-feira, 14 de junho de 2016
O Juiz (Filme)
A obra
cinematográfica “O Juiz” (2014), com direção de David Dobkin, aborda os dilemas
familiares muitas vezes comuns e, ao mesmo tempo, faz correlações analíticas
com o espaço jurídico e com temáticas sociais, especificamente no que concerne
ao exercício funcional de juiz.
O protagonista,
Hank Palmer (Robert Downey Jr.), é um advogado bem-sucedido que necessita
defender seu pai, o Juiz Joseph Palmer (Robert Duvall), conhecido pelo estrito
cumprimento à lei, mas que é acusado de matar. A trama cinematográfica elabora
críticas sutis à atividade jurisdicional, uma vez que o juiz é considerado uma
autoridade que reflete o ordenamento jurídico e o Poder Judiciário, conforme
Montesquieu, detentor do exercício de frear e de delimitar os outros poderes do
Estado.
No filme, a
situação fictícia cria uma antítese de tal concepção, uma vez que se reflete
sobre a possibilidade de o juiz ser também capaz de violar a lei. A crítica
social feita pelo filme à figura do juiz questiona o arquétipo juiz-hércules (DWORKIN, 2007), aquele
que interpreta os princípios e regras do sistema jurídico com vistas a efetivar
o postulado da integridade ao complexo normativo.
Entretanto, Dworkin
defende que o julgador, em sua atividade interpretativa, deve cotejar,
efetivamente, os postulados principiológicos de forma a adaptá-los à realidade
social, principalmente, ao contato interpessoal. Assim, diante da figura do juiz-herói, elucida-se a necessidade de
tal autoridade conhecer, de modo empírico, o meio em que vive e as pessoas que
estão inseridas em tal tecido social.
Nessa senda, portanto,
depreende-se que, além das dialéticas relações familiares que são abordadas no
filme, este se caracteriza por trazer uma análise subjacente à figura do juiz, fragmentando
o paradigma de sua infalibilidade, o qual, por vezes, é suscetível a equívocos
e, como qualquer outro cidadão, está sujeito às práticas sociais e seus
desdobramentos.
Alexandre Engel
Acadêmico do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico: a leitura
como prática reflexiva no contexto das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/
FEMA.
Márcia Adriana Dias Kraemer
Prof.ª Dr.ª
do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA.
Lembranças Literárias
Lembro-me, como se fosse hoje, dos dias de
minha infância, das tardes quentes, dos veraneios ao lado da família.
Recordo-me, ainda, das fartas conversas ao lado de meu avô, grande apreciador
de livros, cujas leituras às vezes pareciam intermináveis. Lia de tudo, de
jornais a conto de fadas para as netas, inclusive para mim, que sentava
abraçada à melhor boneca, para aprender como um bom apreciador de histórias narra
suas tramas prediletas.
Penso naquele tempo com uma saudade que
transborda o peito e chega a emocionar. Contudo, fazer-me leitora não foi
tarefa fácil, o labor foi árduo, afinal, a pequena travessa, dava-lhe trabalho.
Ler gibis e contos imaginários, de fadas e amores impossíveis... Ah! Foi paixão
à primeira vista. Sim, aqueles amores que tocam o coração e perduram por
décadas como best sellers irresistíveis.
Entretanto, com o passar dos anos, a maior revelação foi desvendar contos de
suspense.
Dos Irmãos
Grimm a Edgar Alan Poe, lembro-me
ainda o quão doloroso era, ao término de minhas leituras, doar meus queridos
xodós, que, durante dias, acompanhavam-me em longas jornadas literárias. Contudo,
a satisfação em ver a felicidade e a alegria transbordando o peito de novos
leitores bastava, porque a paixão pela leitura resulta na imaginação e, quanto
mais coletiva, melhor. Fechamos os olhos e logo criamos novas histórias, em
novos lugares, tempos e espaços, sem sequer ter saído de nosso quarto. Ler é
apaixonarmo-nos pelo conhecimento e, mesmo que percamos tudo, este para sempre
permanecerá.
Poliana
Dickmann
Acadêmica
do Curso de Direito, Membro do Projeto de Pesquisa Letramento Acadêmico/Científico no contexto das Ciências Sociais
Aplicadas – PROPLAC/ FEMA, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Márcia Adriana Dias
Kraemer.
Críticas
Os textos apresentados nesta Coluna do Espaço Acadêmico refletem
diferentes críticas de leitura que marcam a vida dos estudantes do Curso
de Direito das Faculdades Integradas Machado de Assis. Esses participam do Grupo
de Pesquisa Letramento
Acadêmico-Científico: a leitura como prática reflexiva no contexto das Ciências
Sociais Aplicadas – NUPAC/NPPGE/FEMA, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Márcia
Adriana Dias Kraemer.
Críticas:
Concepções de Linguagem e Estratégia de Leitura
A formação de
leitores é sempre uma preocupação em se tratando de ensino e de aprendizagem.
Entretanto, pouco se reflete em relação à influência das concepções de língua e
de linguagem, bem como sua relação com o uso de estratégias de que se vale o leitor para a
apropriação do conhecimento.
Se a atitude frente
ao texto é a que coaduna com a concepção de linguagem centrada na expressão do
pensamento, herança da tradição greco-latina, ler “corretamente” corresponde a
um privilégio de poucos e para poucos. Nessa perspectiva, é uma atividade que
se reduz à extração do significado, em que a melhor performance é expressa pela
materialização oral, do “bem falar”, de acordo com a norma culta. A ênfase está
na retórica e na oratória, por meio de textos modelares, principalmente
literários, em que a autoridade é dos autores do texto em quem se deve espelhar.
A concepção de
linguagem como instrumento de comunicação, fundamentada na perspectiva
tecnicista de ensino, conduz a leitura a um processo de decodificação, do escrito
para o oral, sem reflexões. As estratégias do leitor acontecem em processo
indutivo, das partes para o todo, partindo de questões expressas na
superficialidade do texto, prontamente identificadas. A ênfase é na consulta ao
dicionário, na leitura em voz alta e, também, na extração do significado, em
que a autoridade é o texto, capaz de transmitir mensagens.
Uma terceira via é a concepção de linguagem
como interação, em que se busca a alteridade entre texto, contexto e
interlocutores, em uma atitude responsiva ativa do leitor - que concorda,
discorda, completa, adapta, discorda, contra-argumenta. A leitura é entendida como um processo de
interação entre a tríade, responsáveis pela construção de significados do texto
e de produção de sentidos.
Entende-se que, na
contemporaneidade, o estudo de textos-enunciados de determinado gênero pode
partir do contexto para o viés temático, depois para sua construção
composicional e por fim para seu estilo. Esse caminho permite à leitura tornar-se
uma prática social, em que o discurso concretiza a interação verbal,
afastando-se o quanto possível do estudo do texto como pretexto para ensinar gramática
normativa e descontextualizada, da leitura oral ou de decodificação apenas,
como também da redação para reproduzir prescrições.
Roberto
Tonel Klock
Acadêmico do Curso de
Direito, Membro do Projeto de Pesquisa
Letramento Acadêmico/Científico: a leitura como prática reflexiva no contexto
das Ciências Sociais Aplicadas – PROPLAC/ FEMA.
Márcia
Adriana Dias Kraemer
Prof.ª
Dr.ª do Curso de Direito e Coordenadora do PROPLAC/FEMA.
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